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Entrevista a Pedro Dias, o Matt Cutts Português PDF Versão para impressão Enviar por E-mail
Domingo, 31 Janeiro 2010 16:51

Uma boa parte do sucesso dos nossos sites depende da sua boa indexação no Google.  Como tal, achei que seria interessante entrevistar o responsável máximo pela equipa que controla a qualidade dos resultados das pesquisas para o mercado em língua Portuguesa e para toda a Europa.  Ele é Português e chama-se Pedro Dias.

Depois de lerem a entrevista, talvéz queiram também ler esta, publicada no WebMilionário há 2 ou 3 dias.   Podem ainda seguir o Pedro Dias  no Twitter.

Custódio: Para começar, e para os leitores, quem é o Pedro Dias?

Pedro Dias: Olá Custódio, obrigado pelo interesse em entrevistar-me.  

Sou Português, originalmente da região do Algarve. Considero-me uma pessoa extrovertida com um lado nerd... Desde muito cedo comecei a brincar com computadores, a construir engenhocas e observar como tudo funciona. Estes possivelmente foram alguns dos factores que contribuiram para a minha carreira e onde me encontro neste momento.

Presentemente trabalho na Google e integro a equipa de Qualidade de Pesquisa em Dublin com especial foco no mercado de língua Portuguesa.

Custódio: Como é que o Pedro foi para o Google e para a Irlanda?

Pedro Dias: Devo dizer que foi uma agradável surpresa para mim também :)

Tudo aconteceu por volta do início de 2006. Nessa altura, trabalhava como Designer e Web-Designer numa agência de Design e Publicidade em Lisboa. Estava "no ramo" há cerca de 5 anos, e sempre tive a ambição de trabalhar num sítio onde a minha carreira dependesse apenas do meu trabalho e dedicação.

Na verdade, foi a minha mulher que viu a vaga de emprego na Internet e disse que seria algo bom para mim. Ao início, estava um pouco relutante visto que envolvia mudar-me para outro país, mas depois pensei que um trabalho internacional tinha de ser algo fantástico, por isso decidi tentar e candidatei-me... Dois meses mais tarde, comecei a receber telefonemas para entrevistas pois ainda não existia escritório em Lisboa. No total, houve 5 entrevistas até ser seleccionado.

Custódio: Em tempos fiz um post com umas fotos de como é trabalhar no Google em Zurique. Como é mesmo trabalhar no Google? Vocês na Irlanda tem instalações como aquelas?

Pedro Dias: As pessoas são o nosso recurso mais valioso: pessoas energéticas e inovadoras que se preocupam igualmente em criar produtos fantásticos e, ao mesmo tempo, desenvolver uma cultura única existente entre todos os funcionários.

O escritório do Google em Zurique tornou-se uma referência mesmo dentro do Google, e todos esperamos ter uma oportunidade para o visitar. Dito isto, nós acreditamos em trabalho árduo, uma atmosfera lúdica, e uma diversidade de perspectivas—não importa se estamos a falar de um escritório no Japão ou na Irlanda. Cada escritório tem o seu próprio carisma, e a Google tenta sempre dar o melhor aos seus funcionários—comida, sessões e cadeiras de massagens, nap pods, etc.

No fim para mim, tudo se resume às pessoas que me rodeiam e não apenas as instalações em si, haverá sempre oportunidade de melhorar o escritório. Ah! Existem umas fotos do Google na Irlanda caso estejam curiosos.

Custódio: Pedro, hoje em dia, com sites como o Twitter, e outros sites de "partilha de conteúdo", é possível que um site obtenha muitos links rapidamente, de uma forma que poderia ser considerada "não natural". Como webmaster devo estar preocupado que o Google pense que estou a comprar links?

Pedro Dias: Em suma, não! O Google é muito eficaz a identificar tentativas de manipulação de qualquer tipo. Somos também muito eficazes a perceber novas tendências, quais os serviços que as pessoas gostam e assegurarmo-nos que existe sempre uma explicação para um determinado comportamento.

Custódio: Pedro, recebo muitas perguntas no blog sobre sub-domínios. Qual a sua opinião em relação aos sub-dominios. A forma como são indexados Google, e se pessoalmente o Pedro usaria sub-domínios.

Pedro Dias: A melhor decisão é sempre aquela que mais beneficia os utilizadores e visitantes do web site. Eu vejo uma oportunidade legítima de uso de sub-domínios sempre que queiram ter um web site independente, mas de certo modo relacionado com o conteúdo do domínio principal. Por exemplo, os vídeos são um conteúdo diferente dos artigos e pode fazer sentido separá-los em sub-domínios. Digamos que vocês têm um site de família por exemplo. Poderiam ter o vosso último nome com domínio principal e utilizar sub-domínios para sites de cada membro da família—assumindo que todos têm o mesmo último nome na família. Outro exemplo pode ser um site de viagens. Pode fazer sentido a utilização de sub-domínios para categorizar cidades ou países.

Mas cada caso é um caso, e não devemos generalizar. No fim, a melhor decisão é aquela que mais beneficia os utilizadores e visitantes do web site.

Se estão ansiosos por mais informação, podem visitar o post subdomains and subdirectories, escrito pelo nosso guru Matt Cutts.

Custódio: Se eu tiver um domínio que foi banido do Google, e o quiser vender a outra pessoa, qual a possibilidade de esse domínio voltar a ser incluido no Google sem penalização?

Pedro Dias: Acho que isto é algo que todos devem saber e uma regra que recomendo sempre: se compraram um domínio e suspeitam que foi previamente utilizado por alguém e não se sentem confortáveis com modo como possivelmente possa ter sido, submetam um pedido de reconsideração mencionando que compraram o domínio recentemente.

Custódio: Já agora, é possível um domíno banido do Google ter algum PageRank? E se tem pode passar PageRank?

Pedro Dias: É possível :) PageRank e indexação são independentes, logo pode haver domínios que não estejam incluídos no índice mas que ainda tenham um valor atribuído de PageRank na barra de ferramentas.

Custódio: Ainda em relação ao PageRank, num post de um blog com, por exemplo, 50 ou 60 comentários, e cada comentário com um link na assinatura de quem comenta, é correcto dizer que os links "follow" desse post quase que não passam PageRank?

Pedro Dias: PageRank é apenas um de entre centenas de outros factores que consideramos para a classificação de web sites nos nossos resultados de pesquisa. Como tal, eu não me focaria em cálculos matemáticos de PageRank. Se estão demasiado preocupados com fracções e percentagens de PageRank para cada link, estão a investir demasiado esforço em algo que vai ter um valor mínimo - se é que tem algum -, enquanto poderiam trabalhar noutras coisas mais úteis. Se acham que a pergunta pode estar relacionada com PageRank sculpting e como este é distribuído entre links follow e nofollow, podem ler o post do Matt sobre esse assunto.

Custódio: Pedro, não seria interessante se o motivo das penalizações de um site, ou a descida no PageRank, fossem explicadas na secção de Ferramentas para Webmasters?

Pedro Dias: O Matt respondeu a uma pergunta similar num vídeo em Setembro de 2009. Em suma sim. Nós gostaríamos de fornecer toda a informação, mas gostaríamos de o fazer de maneira a não dar pistas "aos maus" também. Continuamos a tentar encontrar o equilíbrio óptimo entre o que comunicamos para chegar com sucesso às pessoas que, com um negócio legítimo, não estão cientes de que estão a violar as nossas directrizes de qualidade e, ao mesmo tempo, assegurarmos que não revelamos informação que, quando utilizada por spammers, pode comprometer os nossos sistemas de defesa.

Custódio: Em geral você acha que os webmasters (e bloggers) Portugueses são mais o menos "marotos" que os estrangeiros?

Pedro Dias: Cada mercado tem as suas próprias tendências e jogadores. Eu diria que o mercado pode ser tão "maroto" quanto o número de jogadores que competem para atingirem o mesmo objectivo. Resumindo, acho que os Portugueses são muito bem comportados até ao momento. :)

Custódio: Um pergunta sobre conteúdo duplicado. Imagina que no meu blog, por cada 9 posts originais, publico um que é conteúdo duplicado, com ou sem o link para o texto original. Isto vai de alguma forma prejudicar o meu blog nos rankings? Que tipo de impacto tem isto?

Pedro Dias: Eu não me preocuparia com algo assim pois nós lidamos com duplicação ao nível de URLs. Se um web site tem conteúdo duplicado, o Google deverá ser capaz de lidar com esta situação de uma forma eficaz sem comprometer o conteúdo original.

Custódio: O que é que o Pedro espera para 2010 em termos de motores de busca e SEO. Pensa que pode haver mudanças significativas? Será que, por exemplo, o número de ReTweets no Twitter poderá ser um factor no algoritmo do Google em 2010?

Pedro Dias: Embora eu não possa discutir o que será considerado ou deixado de fora do algoritmo, posso dizer que, para 2010, os SEOs devem concentrar mais os esforços nos fundamentos básicos de um web site, como o conteúdo e a estrutura, bem como os bons links orgânicos. Se um destes pilares for fraco, é provável que o sucesso seja mais difícil.

Custódio: O Google Caffeine, sobre o qual ainda não falei no blog, vai trazer que novidades?

Pedro Dias: Fundamentalmente Caffeine é uma reestruturação da nossa estrutura de indexação. É sobretudo uma grande melhoria a nível de back-end de modo a facilitar a acomodação de conteúdo mais actual e de qualidade e, ao mesmo tempo, manter ou aumentar os nossos padrões de qualidade. Não deverão acontecer grandes mudanças no que toca ao que é visível nos resultados de pesquisa, mas é impossível dizer que tudo vai ficar na mesma.

Recomendo a leitura do post no blog da Central do Webmaster e uma visita à entrevista do Matt na Webpro News sobre o Google Caffeine.

Custódio: Pedro, para viver, já prefere a Irlanda a Portugal?

Pedro Dias: Eu gosto da Irlanda, é um país bastante acolhedor, mas prefiro viver em Portugal. Não apenas pelo facto que será sempre o meu país, mas também pelo clima e gastronomia fantásticos que tornam ainda mais difícil ficar longe. Voltaria alegremente se pudesse trabalhar a partir de casa :P

Custódio: E já agora, Guinness ou a nossa cerveja?

Pedro Dias: Gosto de Guinness, é um pouco pesada, mas tenho saudades da nossa cerveja e vinhos excelentes :)

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Fonte: O Blog do Dinheiro

 

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